490 28/01/2022 às 08:30 - última atualização 28/01/2022 às 18:36

Volta às aulas presenciais é seguro? Infectologistas orientam os pais e falam sobre a vacinação infantil

Redação Em Dia ES

Em relação ao surto de influenza, o médico reitera que o vírus sempre esteve em nosso meio e acredita que terá arrefecimento, com volta no outono.
Volta às aulas presenciais é seguro? Infectologistas orientam os pais e falam sobre a vacinação infantil. Foto: Reprodução
Em meio ao avanço de casos de covid-19 e influenza [gripe], decidir mandar os filhos para a escola é uma dúvida de muitas mães, pais e responsáveis. Embora o momento ainda seja pandêmico, o retorno escolar é necessário e, graças ao avanço da vacinação, é considerado mais seguro.

O infectologista, professor da UFSM e membro consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Alexandre Schwarzbold defende o retorno presencial, reforçando que em 2020, ano de início da pandemia, o cenário era completamente diferente, devido à falta de proteção vacinal em toda comunidade escolar, bem como falta de informação sobre a saúde das crianças. “Agora temos toda a população adulta vacinada e, provavelmente, a maior parte das crianças também estarão imunizadas contra o novo coronavírus até a segunda semana de início das aulas, dependendo da região do Brasil”, diz.

Em relação ao surto de influenza, o médico reitera que o vírus sempre esteve em nosso meio e acredita que terá arrefecimento, com volta no outono. “Embora a H3N2  [nova cepa da gripe] não era coberta pela vacina, todos os anos há campanha vacinal que inclui as crianças, o que reduziu significativamente a circulação do vírus”, destaca.

Schwarzbold reforça a exposição histórica pediátrica à influenza, sem desconsiderar que nunca se teve contato com a nova cepa e a possibilidade de diagnóstico positivo para ambas as doenças respiratórias, que pode agravar o quadro. “Não temos dados de tanta prevalência simultânea dos vírus nas pessoas. Então, na população infantil, a influenza não fica como um fator de risco para adquirir o coronavírus. No entanto, é um público suscetível, caso não esteja vacinado em uma situação de surto de influenza.”

Levando em consideração o histórico de ambas as doenças, Igor Thiago Queiroz, infectologista do Hospital Giselda Trigueiro (RN) e presidente da Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI) aconselha os pais a mandarem as crianças saudáveis e sem comorbidades para o colégio. “Caso o(a) filho(a) tenha uma doença grave e seja parte do grupo de risco, nesse momento de maiores casos, seria melhor ficar em casa e aguardar esse período passar para voltar à escola com segurança.” 

Schwarzbold defende que a criança imunizada pode — e deve — ir todos os dias para as aulas presenciais. Ele aponta a importância de encarar a escola como um local seguro, onde todas as medidas de proteção serão tomadas. Afinal, vale considerar que nos demais locais os pequenos também podem ser expostos ao vírus, mesmo em casa, com os pais saindo para trabalhar, por exemplo.

“Acho que não há mais espaço para o híbrido. Penso que devemos restringir esse formato na educação infantil e ensino fundamental para crianças com patologias e comorbidades importantes, até porque é um grupo que depende de uma segunda dose, o que não daria tempo nesse retorno às aulas”, declara.

Vacinação infantil 
Ambos os especialistas defendem a volta às aulas presenciais, no entanto, é necessário continuar seguindo as medidas de proteção contra a covid-19 — que são as mesmas para a gripe. E estar com a vacinação em dia é indispensável. Embora crianças e adolescentes tendem a ter quadros mais leves de covid, muitas vezes assintomáticas e com menores chances de complicação, como ressalta Igor Thiago, não se descarta a fatalidade da doença.

De acordo com o Instituto Butantan, desde o início da pandemia, o Brasil soma mais de 1,4 mil mortes de crianças de até 11 anos em decorrência do novo coronavírus e mais de 2,4 mil casos de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) associada à covid-19, conjunto de sintomas graves que podem levar à morte, segundo o Ministério da Saúde. 

Os números acima parecem baixos quando comparados as mais de 600 mil mortes de adultos pelo vírus no país, mas não deixa de ser lamentável e alarmante, o que reforça a necessidade da imunização infantil. “A vacinação desse público é estratégia importante para reduzir o número de mortes por conta da covid-19 nessa faixa etária, no Brasil, cujos indicadores são mais expressivos do que em outras nações”, conforme declara a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em nota.

Alexandre Schwarzbold explica que a falta de vacinação inicial nesse público não foi por falta de necessidade, e sim resultado de um processo, afinal, com o andamento da pandemia em 2020, as crianças foram mais poupadas do ponto de vista de aquisição e gravidade do vírus. “Isso pode ter sido um equívoco, visto que no mundo, principalmente no Brasil, as escolas fecharam, o que isolou as crianças, deixando-as menos expostas às variantes que circulavam”, prejudicando o processo de avaliação. Além disso, é comum que estudos clínicos sobre a segurança das vacinas e suas eficácias nas crianças sejam mais tardios, por segurança.

“Tivemos recentemente dados de segurança e eficácia da vacinação infantil, e só a partir disso iniciaram as campanhas. Nesse ponto epidêmico, quando temos boa parte da população vacinada, a única população suscetível para que o vírus continue circulando é a pediátrica”, explica o infectologista. “O potencial do vírus migrar para essa população infantil é muito grande. Já estamos vendo isso no mundo, principalmente onde tem as maiores ondas de Ômicron [variante da covid]. Portanto, é fundamental vacinarmos as crianças nesse momento”, garante.

Em nota, a SBP destaca que, “até o momento, os estudos realizados apontam a eficácia e a segurança da vacina aplicada na população pediátrica, a qual é fundamental no esforço para reduzir as formas graves da covid-19”. E reforça o papel do imunizante na prevenção de morte, dor, sofrimento, emergências e internação em todas as faixas etárias. 

Os efeitos adversos da vacina entre as crianças são raros e reversíveis. Segundo um relatório publicado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) com dados entre 3 de novembro e 19 de dezembro de 2021, das 8,7 milhões de doses aplicadas com imunizantes Pfizer-BioNTech nesse grupo etário, com idade média de 8 anos, foram registrados 4.249 casos de efeitos adversos, sendo a maioria (4.149) sintomas leves, como dor no local da aplicação, dor de cabeça, tontura e fadiga. Outros 100 relatos de efeitos mais sérios com necessidade de hospitalização incluíram febre, vômito, convulsões e 15 casos de miocardite — inflamação do músculo cardíaco. 

“A miocardite, quando é causada pelo vírus, muitas vezes não é revertida. Além disso, essa condição é muito mais comum pela infecção do vírus do que na vacinação”, garante Alexandre.

No Brasil, a CoronaVac se mostrou eficaz para a população pediátrica, além de demonstrar ter menos efeitos colaterais, segundo a médica e imunologista Ester Sabino, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao Instituto Butantan.

Como orientar as crianças na volta às aulas
O infectologista Igor Thiago Queiroz reforça que escolas e funcionários devem promover as medidas preventivas contra covid através de orientação aos alunos, cartazes informativos e disponibilização de álcool gel e sabonetes para lavar as mãos. Já Alexandre Schwarzbold destaca que a medida fundamental é o distanciamento, além de estruturas físicas que priorizem atividades ao ar livre e espaços ventilados, evitando locais fechados com ar-condicionado.

Ambos os especialistas indicam aos pais orientarem os filhos sobre as seguintes medidas:
• Utilização de máscara, cobrindo totalmente o nariz e a boca — acessório deve ser trocado a cada 3 ou 4 horas, principalmente se estiver úmido; 

• Higienização das mãos com água e sabão ou álcool gel, sempre que tocar em algum material ou compartilhar algum objeto; 

• Distanciamento social, tanto nas salas de aula quanto nas filas e intervalos;

• Em casos de sintomas, comunicar imediatamente o colégio e não levar a criança para as aulas presenciais.
 
 
 

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