Joacles Costa

Por Joacles Costa

_Escritor capixaba. _Graduando em Letras Português/Espanhol pela UFES - Universidade Federal do Espírito Santo. _Membro efetivo da AJEL - Academia Jovem Espírito-Santense de Letras. _Assessor de imprensa. _Registro de Jornalista: 003675/ES. _INSTAGRAM: @joacles

Por Joacles Costa

_Escritor capixaba. _Graduando em Letras Português/Espanhol pela UFES - Universidade Federal do Espírito Santo. _Membro efetivo da AJEL - Academia Jovem Espírito-Santense de Letras. _Assessor de imprensa. _Registro de Jornalista: 003675/ES. _INSTAGRAM: @joacles

Coluna: Machado | “Crítica literária” sempre foi de natureza jornalística.”

Saudações Renovadas 

O que parece

Estou num ponto de ônibus
ou da vida
esperando o próximo
oxigênio passar.
Exagero, claro,
como quem aguarda o terremoto
que faça em frangalhos
aquele formigueiro
no quadrado de grama da calçada.
(texto retirado de ESCAMANDRO- poesia tradução crítica)

O escritor e Dr. Lino Machado nasceu no Rio de Janeiro em 28 de Março de 1957. Tem experiência na área de Letras, atuando principalmente em Literatura Portuguesa. Além de vários artigos, publicou os livros: As palavras e as cores, sobre Carlos de Oliveira (1999), Sob uma capa (2010), Entre dois vetores (2014) e Viés-cegueira (2020) – este três últimos, volumes de poesia.
  
O autor espera que, ao seu modo, o leitor encontre nos textos a si mesmo (ou parte importante de si) e o que lê impulsione a ir em frente, enxergando a existência como um todo, de maneira não unilateral, ou seja, vendo o mundo não apenas nos seus aspectos negativos, que, muitas vezes, se destacam demais, lamentavelmente. 

Entrevista com o autor:
 
Joacles Costa: Quais são os seus livros publicados ?

Lino Machado: De poesia Sob Uma  Capa e Entre Dois Vetores. De análise e teorização literária: As Palavras e As Cores.

JC: Quais são os autores que te dão inspiração? 
LM: Muitos. Na poesia, destaco Gregório de Matos, Manuel Botelho de Oliveira, Cláudio Manuel da Costa, Castro Alves, Cruz e Souza, Augusto dos Anjos, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, João Cabral de Melo Neto, Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Paulo Leminski (em especial), Cacaso, Ana Cristina Cesar e – entre os vivos – Augusto de Campos. A este acrescento – em termos de mais novos – Antônio Risério, Nelson Ascher, Ricardo Aleixo e Arnaldo Antunes. A meu modesto ver, cada um destes nomes já é um clássico.

Joacles: Escritores locais tem mais dificuldade de serem conhecidos?
Lino: Há autores capixabas reconhecidos no seu próprio território e mesmo além dele. Três exemplos: Reinaldo Santos Neves, Waldo Motta, Bernardette Lyra.
Como o que se chama “crítica literária” prossegue desaparecendo, não tenho ideia, infelizmente, do que se possa fazer a respeito. Deixo claro: “crítica literária” sempre foi de natureza  jornalística, não podendo ser confundida com “teoria literária”, mais de caráter universitário, a qual, por sua vez, vem perdendo espaço para os chamados “estudos culturais” ou “multiculturalismo”, em muitas instituições superiores de ensino.     

Joacles: O que você mudaria na indústria  produtora de livros ?
Lino: Eu buscaria publicá-los em combinação com Editoras conhecidas (caso estas topassem). O Estado do Espírito Santo colocaria uma pequena parte das edições em bibliotecas públicas e/ou de escolas, somente. A maior parcela das edições seria remetida para as livrarias do Brasil, não só do Espírito Santo. De saída, seria lançado um Edital, aberto a todas as Editoras Nacionais, para que apresentassem as suas propostas de coedição. Não existiria, portanto, competição da iniciativa pública com a privada, mas cooperação. (Ocorreria, sim, competição entre as Editoras privadas, com o propósito de participarem do processo, com as melhores propostas.)
Em termos econômicos, precisaria haver extrema transparência na situação, para não ocorrer o horror do superfaturamento – que mesmo na área da saúde se nota, em plena pandemia.

Joacles: É possível sobreviver somente da poesia?
Lino: No Brasil (e em vários outros países) pouquíssimos sobrevivem com literatura. Quem quiser ser poeta e/ou prosador necessitará contar com as suas próprias convicções, a sua própria libido, além de sorte etc.

Leitura Em Dia
O que você está lendo?  “Leio fragmentariamente, ou melhor, sobre vários assuntos ao mesmo tempo. Quase sempre, estou abordando poesia e “outra coisa” – principalmente de ciências naturais”.

Revisão de Texto: Max Maciel Pereira Reis

O artigo publicado é de inteira responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam as idéias ou opiniões do site EMDIAES.

Coluna: Blank | “Um afago que ofereço aos leitores.”

Saudações Renovadas 

O livro mais recente do escritor Sérgio Luiz Blank, chama-se Blue Sutil e é uma edição “caseira”. Esse é o termo que o autor utiliza. “Um afago que ofereço aos leitores. Receita de bolo e biscoitos para uma tarde nublada”, acrescenta o literato.

O material traz poemas em prosa, com anotações breves e suaves. Recortes de memórias afetivas. Reunião de escritos feitos nos últimos dois anos, compartilhados com amigos nas redes sociais. O poeta tem textos avulsos publicados nas revistas Cuca, Letra, Você, e em outros periódicos.

Sérgio Luiz Blank nasceu em 07 de abril de 1964 em Vitória, capital no estado do Espírito Santo. O poeta ocupa a cadeira número 9 da Academia Espírito-santense de Letras. Adquiriu o hábito de leitura ao frequentar a biblioteca da escola na infância.

Entrevista com Blank

Jocles Costa: O que você costumava ler quando criança?
Sérgio Blank: O mundo de Monteiro Lobato, Machado de Assis e Cecília Meireles me seduziu. 

JC: Em que momento da vida você começou a escrever?
SB: Depois da leitura dos autores citados anteriormente. Logo em seguida veio a necessidade da escrita como referência. Os livros trouxeram uma nova forma de olhar a vida ao redor. Uma outra maneira de respirar. 

JC: Com o avanço da internet, você acredita que as pessoas continuam lendo livros físicos ou em versão online? 
SB: Estamos vivenciando o paradigma da existência de escritores sendo publicados com facilidade e a ausência de leitura como prática cotidiana. Acredito na força dos projetos de estímulo à leitura. É preciso incentivar a formação de leitores. 

JC: Você tem quantos livros publicados?
SB: Tenho 6 livros de poesia e 1 para crianças.  

JC:  O que Blue Sutil traz de especial para os leitores? 
SB: Editei o livro no ano passado, 2019 - de forma quase que artesanal - o livro de prosa poética. A obra celebrou meus 35 anos de literatura. Blue Sutil traz textos que oferecem pequenos esboços de memórias afetivas e afetuosas. A primeira edição já está esgotada.  Aguardando suavizar o momento crítico atual para produzir a segunda tiragem. A nova edição será em parceria com o fotógrafo Vitor Nogueira e publicada pela editora Cousa.

Blue Sutil
Aprecio as pessoas esquisitas. 
Meus amigos são os estranhos, os tortos, os bastardos, os estrangeiros descalços - clandestinos na nau do dia-a-dia. 
Aqueles que amam sem ser amados. 
Gente que troca festas por livros e colecionam silêncios e nuvens. 
E olham nos olhos. 
Espalham poemas no assoalho promovendo tombos. 
Vivem de brisa e acordam vizinhos com risos. 
Aprecio as pessoas esquisitas.

Sérgio Blank faz parte da grande safra produtora literária capixaba.

Livro: Blue Sutil
Autor: Sérgio Blank 
Ano: 1ª edição - 2019   
Páginas: 68   
Preço: R$ 30,00 (edição esgotada)  
Editora: Edição do autor 
Onde Comprar: blanksergio@gmail.com 



Leitura Em Dia:
O que você está lendo? “Estou lendo o romance Winesburg, Ohio – Sherwood Andesron

Revisão de Texto: Max Maciel Pereira Reis

O artigo publicado é de inteira responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam as idéias ou opiniões do site EMDIAES.

Coluna: Gonçalves | “Escrever é Preciso, escrever é uma forma de resistência.”

Saudações Renovadas.

Emerson Campos Gonçalves é Doutor em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (PPGE/UFES - 2020), tendo sido bolsista Capes. É Mestre em Estudos de Linguagens pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Posling/CEFET- MG - 2013), possui bacharelado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas - 2008) e licenciatura em Letras/Português pelo Instituto Federal do Espírito Santo (IFES - 2019). É pesquisador do Núcleo de Estudo e Pesquisas em Educação, Filosofia e Linguagens do Centro de Educação da UFES (Nepefil/CE/UFES). Também pela Ufes foi professor substituto de Jornalismo, Publicidade e Cinema no Departamento de Comunicação Social (2015-2016) e de Língua Portuguesa e Literatura em Língua Portuguesa no Departamento de Linguagens, Cultura e Educação (2020). Foi, ainda, professor voluntário de Fundamentos Histórico-Filosóficos da Educação no Departamento de Educação, Política e Sociedade da UFES (2017-2018). Atualmente investiga como as ideias fascistas se aproveitam da relação entre Jornalismo e Indústria Cultural para perpetuarem, dedicando-se à retomada dos estudos do Grupo de Berkeley. Suas linhas de pesquisa são Cibercultura, Web 2.0 e Convergência de Mídias; Semiótica e Estudos de Linguagem; História do Jornalismo; Jornalismo Literário; e Literatura, Filosofia e Comunicação (esta última diretamente relacionada com os estudos da Teoria Crítica da Sociedade, a partir de Theodor W. Adorno e Christoph Türcke).

Entrevista com Emerson Campos

Joacles Costa: Nome, data e local de nascimento?
Emerson Campos Gonçalves: Emerson Campos Gonçalves, nascido no dia 05 de Janeiro de 1987 na Cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais.

JC: Qual sua opinião em relação aos Gibis na iniciação da alfabetização? 
ECG: Muitos colegas de pesquisa dentro da universidade torcem o nariz (com certa razão) para a formação literária que é fomentada pelos gibis, já que muitas vezes o conteúdo desses passa longe da educação estética e cultural que desejamos para os nossos filhos. Porém, o que muitas vezes passam despercebido é que, em muitos casos, o baixo custo dessas revistas em quadrinhos faz com que essa seja a única possibilidade de contato das crianças da periferia com alguma forma de produção literária na infância (pelo menos foi assim no meu tempo de criança, já que não existiam dispositivos móveis, nem a possibilidade de acesso a outros tipos de produção literária). Então, com grande alegria no coração, posso dizer que tive a sorte de ter uma mãe maravilhosa e muito esclarecida que sempre incentivou meu hábito de leitura comprando essas revistinhas. Foi a leitura despretensiosa desses gibis que me apresentou o universo literário e foi a partir deles que, por conta própria, passei a buscar outros mundos através dos livros disponíveis na biblioteca da escola.

JC: Já publicou alguma obra literária ?
ECG: Apesar de ter outras obras acadêmicas publicadas e no prelo como organizador, “A morte do jornalista: causos poéticos” é o meu primeiro livro literário. Nos próximos meses está previsto o lançamento de “Convergência infinita de mídias”, meu primeiro livro acadêmico “solo”, por assim dizer.

JC: Como foi seu envolvimento mais sério com a literatura?
ECG: Até onde eu me lembre, desde sempre rabisquei poesias. Mas no começo era apenas empolgação da juventude (pelo menos eu achava isso), tanto que não conservei nenhum escrito mais antigo, foram todos devorados pelo tempo. O meu envolvimento mais sério com a literatura só começou mesmo uma década atrás, nos tempos de repórter no jornal Estado de Minas, quando passei a – sempre que possível – escrever uma reportagem ou outra em primeira pessoa para subverter o padrão engessado de um jornalismo que se apresentava como supostamente isento. A coisa deu certo, o público gostou e, além dos textos no jornal, passei a esporadicamente escrever crônicas para um círculo mais próximo de amigos jornalistas (uma grande incentivadora nesse processo foi a poeta mineira Ana Elisa Ribeiro, que era minha orientadora de mestrado). Nessa época comecei a maturar a ideia de escrever um livro de crônicas, mas com a mudança para o Espírito Santo, em 2013, o projeto acabou interrompido (e durante um tempo, a literatura como um todo também). Foi quando a UFES surgiu no meu caminho, ainda em 2014. Fui cursar disciplinas optativas do doutorado em Letras e, entre algumas, me atraiu particularmente uma ementa que propunha realizar uma aproximação teórica entre Drummond (meu poeta favorito) e Adorno (meu filósofo favorito), ministrada pelo professor – e poeta – Wilberth Salgueiro. Eu que já era um leitor entusiasmado de poesias firmei o hábito e passei, a partir dali, a produzir de forma mais organizada meus poemas, levando a coisa um pouco mais a sério. Na sequência veio o doutorado em Educação e o caminho foi natural. A literatura passou a compor meus projetos de pesquisa e, também, parte significativa da minha vida. Acabei sendo escolhido pela poesia – embora não tenha desistido do projeto de crônicas.

JC: O que você gosta de ler ?
ECG: Entre os clássicos, como um bom mineiro preciso citar João Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade como escritores que me marcaram profundamente. E ainda marcam, a cada nova releitura.

JC: Que tipo de reflexão você quer transmitir em seus textos?
ECG: Com a minha poesia busco sempre contar um “causo”. E, como qualquer contador de causos, minha intenção é sempre valorizar a experiência a partir da leitura, causando algum tipo de incômodo. Mas escrever é preciso, escrever é uma forma de resistência. Então, ao fim, eu diria que busco incomodar o leitor de alguma forma com os textos. Se ele se incomodar e, a partir desse sentimento, refletir sobre questões sensíveis da nossa existência sobre as quais não se atentava antes, acho que minha literatura deu certo (por mais pretensioso que isso pareça).

JC: É possível o livro físico tornar-se apenas virtual? 
ECG: Acho que já perdi as contas de quantas vezes, na condição de repórter, fiz essa pergunta (risos). E acho que a persistência dela é a prova de que não temos uma reposta fácil ou única. Mas eu diria que não. Acredito que as novas tecnologias forçam as anteriores a se adaptarem, mas não eliminam essas em definitivo. O suporte permanece porque a cultura permanece. A persistência dos jornais impressos (apesar da queda nas tiragens) é uma prova disso.



A morte do jornalista: causos poéticos 
Emerson Campos explora seu próprio infortúnio como jornalista. A tentativa - carregada de inquietudes e ensaios - é de dar vida em seus versos àqueles que morrem anônimos, minorias invisíveis barbarizadas na máquina ofegante do capital que toma forma de cidade. Para isso, concluiu: o repórter - frio e objetivo - precisava morrer! Ao reconstruir o próprio trajeto do solo mineiro aos encantos capixabas, o poeta lança o olhar que herdou de uma vida na reportagem e passeia por causos e gêneros em que acredita. Traça, assim, um caminho de leitura que começa pela morte, metamorfoseia-se superando o tempo, une sotaques e povos, exalta o encontro de sexos e corpos no mundo de cimento, propõe algo de uma metacrítica perdida, desembarca no cenário de concepção da obra e, ao fim, derrama-se no essencial. O perigo nesta leitura, portanto, não é constatar a morte, mas decidir fazer uma revolução e renascer entre os 51 poemas”.

Leitura Em Dia
O que está lendo? “Macunaíma: o herói sem nenhum caráter”, de Mário de Andrade
 
Livro:  A morte do jornalista: causos poéticos
Autor: Emerson Campos Gonçalves
Ano: Março/2020
Assunto: Poesias
Páginas: 64 Páginas
Preço: Para kindle e tablets: R$ 10,00 (E-book) - Impresso: R$ 15,00   
Editora: Edição Independente
Onde Comprar: www.emersoncampos.com.br

Revisão de Texto: Max Maciel Pereira Reis

O artigo publicado é de inteira responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam as idéias ou opiniões do site EMDIAES.

Coluna: Wladimir Cazé | “...Eu não diria que escolhi escrever ou fazer literatura. Na verdade, é a literatura que te escolhe..."

Saudações renovadas.

Nossa personalidade de hoje é o escritor Sérgio Wladimir Cazé dos Santos. Pernambucano, nascido em Petrolina no dia 22 de Setembro de 1976. Doutorando em letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da Universidade Federal do Espírito Santo. Possui mestrado em letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da Universidade Federal do Espírito Santo (2016) e graduação em Comunicação Social: Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (1998). Atualmente é também graduando do curso Letras Português-Espanhol da Universidade Federal do Espírito Santo. Tem experiência nas áreas de Jornalismo e Letras, com ênfase em Literatura Hispano-americana e Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: poesia, conto, tradução literária.

Desde criança, Cazé sempre teve muito contato em casa com livros, revistas e jornais, proporcionado pelos pais e tios, e o interesse pela leitura e pela escrita surgiu naturalmente. Depois de muita leitura de gibis, da coleção Vagalume e de Monteiro Lobato, no fim da infância, descobriu no começo da adolescência o Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. E logo passou para Dom Casmurro, de Machado de Assis, para a poesia de Manuel Bandeira, para Rubem Fonseca, etc. 

Joacles Costa: Quando começou a escrever e por que escolheu essa área?

Wladimir Cazé: Eu não diria que escolhi escrever ou fazer literatura, porque essas coisas não se escolhe. A pessoa começa fazendo isso por alguma necessidade de se expressar pela escrita. Na verdade, é a literatura que te escolhe. No meu caso, lembro de começar a escrever histórias em quadrinhos, por puro exercício lúdico, e de em algum momento passar a escrever textos mais longos, mas sem maiores pretensões a não ser me divertir. Tudo nasceu daquelas leituras iniciais, na infância, e com o tempo se tornou algo mais sério e fundamental, levando-me a escolher a profissão de jornalista.

JC: Quantos livros você tem publicado, quais são:?

WC: Publiquei os livros de poemas Microafetos (2005), Macromundo (2010) e Minividas (2018). Também publiquei dois folhetos de cordel, A fiilha do Imperador que foi morta em Petrolina (2004) e ABC do Carnaval (2009).

JC: Você tem alguma referência literária nos clássicos brasileiros?

WC: Claro. A literatura brasileira é uma das mais vigorosas dos últimos 150 anos no mundo. Gosto de Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Manoel de Barros, Murilo Mendes, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Antônio Torres, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, João Ubaldo Ribeiro, João Gilberto Noll, Haroldo de Campos, só para mencionar alguns poucos. E também admiro artistas de outras áreas que podem ser considerados clássicos, como os compositores Heitor Villa-Lobos e Tom Zé e o cineasta Glauber Rocha.

JC:  Você acha que um escritor precisa se fazer reconhecido?

WC: Como nasci num Estado (Pernambuco), venho de outro (Bahia) e já morei num terceiro (São Paulo), além do Espírito Santo, refiro não tratar especificamente da questão do reconhecimento do “escritor”. Em qualquer um desses lugares, penso que o desafio maior é o mesmo: fazer o texto literário chegar a seus potenciais leitores ou ouvintes interessados. Daí vale recorrer a todos os meios disponíveis, como, por exemplo, a internet, áudios, vídeos, os saraus e leituras públicas e a participação em eventos escolares, acadêmicos e midiáticos.

JC: A Obra literária de um escritor pode mudar a vida do leitor?

WC: Para mim, o grande lance da poesia é provocar uma certa desautomatização da língua e da linguagem e, com isso, permitir lançar novos olhares sobre as coisas e o mundo. Ao subverter o que o fascismo da língua nos “obriga a dizer” (diria o crítico Roland Barthes), liberando a linguagem para dizer coisas novas e nos fazendo enxergar diferente, a poesia faz emergir um tipo de pensamento que, sendo imprevisível, tem um caráter político, de contestação da evidência imediata, de subversão do óbvio. É claro que, hoje, mais do que nunca, o próprio fato de escrever poesia já é por si só uma ação política. Agora, pensando de forma mais modesta, gostaria que quem me lê possa, durante a leitura, “escutar” os ruídos que tento criar com as palavras, os barulhos que, mais do que dizer algo que tenha um sentido preciso, pretendem expressar sensações, emoções e percepções, numa acepção até musical dessas palavras.

JC:  Nos dias de hoje é possível sobreviver da escrita?

WC:  Primeiramente, não recomendaria a ninguém começar a fazer literatura com a intenção de fazer dinheiro ou de sobreviver dessa atividade. Isso implicaria numa relação profissional com a escrita literária, o que não é uma realidade para a imensa maioria das pessoas que se dedicam a ela (inclusive para mim). O importante é fazer literatura porque se gosta e porque se tem uma necessidade imperativa de expressão; os resultados estéticos, práticos, comerciais e financeiros que possam vir daí são imponderáveis, imprevisíveis. Se eles vierem de forma positiva, ótimo. Mas não me parece que sejam um ponto de partida ideal para a criação literária. Em segundo lugar, para quem quer escrever, recomendo ler muito. Ler de tudo: ficção, poesia, ensaio, teatro. Ler e reler autores de vários lugares, épocas e estilos, dos antigos e clássicos aos contemporâneos, para ir, pouco a pouco, identificando suas preferências e afinidades. Também acho importante ler muita crítica literária, para entender as várias possibilidades de interpretação de uma mesma obra. Por fim, recomendo que, antes de escrever, o candidato a autor viva experiências reais e tenha contato com a realidade humana ao seu redor. É importante não só ficar lendo e escrevendo, mas sair de casa, ver a cidade, conhecer pessoas diferentes de seu círculo próximo. Aos poucos, se lapida um gosto, um estilo e um perfil.

JC: Qual o seu trabalho mais recente? 

WC: No final de 2018, lancei pela editora capixaba Cousa meu terceiro livro de poemas, Minividas, que reúne textos escritos a partir de 2016. O livro apareceu depois de um longo intervalo em que quase não escrevi e criei literatura, mas que foi uma fase de muitas leituras e estudos, em que também comecei a fazer tradução literária (de poesia ou prosa de autores latinoamericanos contemporâneos). Foram dois anos trabalhando nos poemas de Minividas, que se transformaram no meu livro escrito em menos tempo, mas que carrega a gama de experiências e aprendizagens que tive nesse intervalo de 9 anos depois da publicação do livro anterior, em 2010. São poemas escritos com um sentido de urgência, para serem lidos no momento melancólico de final de década que vivíamos, enquanto país, quando escrevi o livro, e que só fez se agravar nos últimos dois anos. Ao acompanhar as notícias do Brasil e do mundo, senti necessidade de fazer algo rápido e intenso, um grito, uma mensagem na garrafa, antes de recomeçar tudo do zero. Antes eu buscava escrever uma poesia antilírica, ou seja, de emoções contidas, com ideias abstratas e sem a presença do eu subjetivo, e mais interessada em falar de sensações, percepções, ideias, observações concretas. No final de 2016, comecei a escrever uma safra nova de poemas em que alguma coisa da linguagem anterior se mantém, mas agora existe a presença do eu, do indivíduo em diálogo com o mundo exterior, além de abordar algumas de nossas crises atuais, inclusive as políticas. Em Minividas, também preocupei-me muito com a oralidade dos versos, com a sonoridade das palavras e os ritmos dos textos, com a forma como esses poemas poderiam ser lidos em voz alta. Nos meus livros anteriores esse aspecto do poema era de certa forma desconsiderado e havia uma outra preocupação, mais com a visualidade do poema na página.



Minha Leitura Em Dia? Grande sertão: veredas - João Guimarães Rosa – Ed. José Olympio Editora
Livro: Minividas
Autor: Wladimir Cazé
Ano: 2018
Assunto: Poemas
Páginas: 56 pg.
Preço: R$ 34,00
Editora: Cousa
Onde Comprar: Ed. Cousa (27) 99956-0277  |  e-mail: editoracousa@gmail.com

Revisor de Texto: Max Maciel

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Coluna: EDIÇÃO ESPECIAL com o ‘’Pai da Turma da Mônica’’ - Mauricio de sousa

Todas as edições dessa coluna são especiais. A edição de hoje é mais que especial. Vamos conversar e saber um pouco da vida do grande cartunista brasileiro chamado Mauricio Araújo de Sousa. Você não leu errado. É Mauricio sem acento e Sousa com s mesmo. Nasceu em 27 de Outubro de 1935. Iniciou a carreira como ilustrador em Mogi das Cruzes, uma cidade do interior de São Paulo – Brasil. Aos 19 anos, mudou-se para a Capital paulista. Em 1959 criou o primeiro personagem, o cãozinho Bidu. A partir daí vieram Cebolinha, Cascão, Mônica, e tantos outros.

Em 1970, lançou a revista Mônica. Depois de passar pela Editora Abril e Editora Globo, assinou contrato com a multinacional italiana Panini. Cerca de 150 empresas nacionais e internacionais são licenciadas para produzir mais de três mil itens com os personagens de Mauricio de Sousa; suas criações chegam a cerca de 30 países. Escritor, membro da Academia Paulista de Letras, empresário, dono da Mauricio de Sousa Produções, criador da Turma da Mônica e um dos cartunistas mais famosos do Brasil.



Sobre Mauricio de Sousa

Teve uma infância cercada por um ambiente muito cultural. O pai era poeta, pintor, compositor e um barbeiro muito conceituado. A mãe também era uma poetisa, cheia de vontade que o filho se tornasse um cantor, entretanto, a timidez do menino não o deixou seguir carreira. Na casa deles, eram normais reuniões e saraus.

A primeira tentativa como desenhista profissional foi na redação do jornal Folha da Manhã (atual Folha de São Paulo). Lá trabalhou durante cinco anos, primeiro como revisor de textos e depois escrevendo reportagens policiais. Fazia questão de usar capa, chapéu, como o personagem de quadrinhos chamado Dick Tracy, da qual ele era muito fã.



Nesta entrevista, Mauricio fala um pouquinho de como tudo começou. Confira.

Joacles Costa - Alguma profissão que você queria seguir antes de ser cartunista?

Mauricio de Sousa - Quando criança quis ser pianista. Mas carregar um lápis é mais fácil que carregar um piano. (risos).
 
JC - Como foi a início da sua alfabetização? Teve acesso a Gibis? Você teve incentivo à leitura?

MS - Eu tinha uns 4 anos de idade e passando pela rua vi um gibi, meio rasgado, caído junto a outros papéis. Gostei das figuras que vi, levei para casa e pedi para minha mãe ler pra mim. Ela leu, eu adorei e queria mais. Meu pai percebeu meu gosto e passou a levar mais gibis para casa. Mas eu queria mais leitura da minha mãe. Daí ela me explicou que não dava porque tinha outras atividades na casa e que eu deveria ler sozinho. E começou a me ensinar, letra por letra, palavra por palavra... Em três meses eu já estava lendo. Ainda lentamente, mas em evolução. Cheguei à escola alfabetizado... e nunca mais parei de ler.
 
JC - Houve algum artista do ramo que te inspirou, lá no início da sua carreira?

MS - Foram vários, mas o Will Eisner (fazia o personagem Spirit) é de quem recebi mais ensinamentos por suas histórias bem construídas e desenho primoroso.
 
JC - Como foi a criação do seu primeiro personagem?


MS - O Bidu foi criado a partir de um cachorrinho de minha infância, chamado Cuíca. Criei junto com o Franjinha, que era baseado em um sobrinho meu. Criei os dois para a primeira tira que publiquei na Folha da Tarde (atual Folha de São Paulo) em 1959.
 
JC -  Criou algum personagem e depois desistiu de dar continuidade? Por quê?

MS – Sim. Quando criei o Cascão, logo engavetei, por receio de lançar um personagem que não tomava banho. Foi baseado em um amigo de meu irmão que realmente não tomava banho. Mas minha esposa, na época, Marilene, (mãe da minha filha Mônica) me convenceu a usá-lo dizendo que criança não gosta de largar das brincadeiras para tomar banho.
 
JC – Todos os seus personagens têm um nome. Como você busca ou buscou inspiração para criar os nomes deles?

MS – Como me inspiro muito em pessoas reais, costumo usar nomes verdadeiros. Quando não são parentes, batizo com um nome bem sonoro que agrade.

JC -  Você já criou algum personagem baseado em você?

MS – Não. O Mauricio de Sousa que de vez em quando aparece nas historinhas é criação de pessoal do estúdio para me homenagear.
 
JC – Com esse avanço da tecnologia, você acredita que as revistas da Turma da Mônica, no formato impresso, sejam extintas e sejam produzidas apenas na versão virtual?

MS – A tecnologia sempre abre novas plataformas de comunicação. E estamos em todas. Mas os quadrinhos impressos ainda têm seu espaço. Ou eu perderia cerca de 10 milhões de leitores/mês. O quadrinho virtual está na nuvem. É de todo mundo. A revista impressa pertence àquela criança que a comprou ou ganhou. Vai para a coleção.

JC – A criança vê nos seus Gibis uma opção de entretenimento.  Por esse motivo, qual a importância dos seus produtos (Gibis Turma da Mônica) para o desenvolvimento intelectual da criança na fase inicial de alfabetização?

MS – Lembra que falei que me alfabetizei com quadrinhos? Foi um passo para me interessar em ler livros. Em minha juventude, cheguei a ler um livro por dia. A leitura é um dos principais pilares da educação. Quanto antes estimularmos as crianças a ler, mais ela vai ganhar em educação e diversão.

JC – Que mensagem você deixa para quem está começando a carreira agora e pretende ser um profissional de sucesso, igual a você?

MS – Um bom profissional é formado por gostar do que faz, estudar muito e ser persistente. Estudando e praticando, não só desenho, mas lendo muitos livros para ser um bom roteirista. E, claro, planejando sua carreira.

E como o Pedrinho do século XXI vai à caçada?

Escrito em um período em que questões como o desmatamento da Floresta Amazônica não era uma tônica e que não se tinha consciência de que o hábito de fumar é extremamente prejudicial à saúde, este Caçadas de Pedrinho teve os trechos originais com enfoques intoleráveis nos dias atuais editados. Nesta obra o leitor encontra notas de rodapé com informações complementares, contextualizando diversas temáticas, além de esclarecer ao leitor, por exemplo, o significado de nomes e expressões tipicamente brasileiros presentes na obra original mantidas aqui como Orelha-de-pau, pé de grumixama, cacho de brejaúvas, entre tantas outras informações que sempre enriqueceram e diferenciaram a obra de Monteiro Lobato a partir da década de 1920.

Pois bem, foi muito bom conhecer melhor o cartunista: Mauricio de Sousa.


Livro: Turma da Mônica – Caçadas de Pedrinho
Assunto: Contos de fadas, Fábulas & Literatura
Autor: Monteiro Lobato
Adaptação: Regina Zilberman
Ilustrações: Mauricio de Sousa
Apresentação na orelha do filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé
Páginas: 88 páginas
Formato: 23 x 30 cm
Preço: R$ 39,90/cada
Editora: Girassol Brasil Edições  - 
Onde Comprar: Clique aqui.

Revisão de Texto: Max Maciel

O artigo publicado é de inteira responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam as idéias ou opiniões do site EMDIAES.

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